Não to boa
Acordei da pá virada
Mas é porque to cansada
De dar com a cara no chão
Ando tão desconfiada
Acho que de tanto ser enganada
Dei pra andar na contra mão
Quando criança eu vivia espivetada
E agora assim desanimada
Só dou ouvidos à razão
Minha vida tá mais que revirada
E eu fico abismada
Com frieza e falta de gratidão
Bem lembro que cria em conto de fada
Queria ser uma princesa encantada
E te dar meu coração
Mas de tanto levar porrada
Eu não quero mais é nada
Meus sonhos se perdem na multidão
Sonhei que estava apaixonada
Pelo meu amor era empurrada
Num balanço de cordão
Me sinto como roupa velha, já usada
Toda remendada
Que lhe falta um botão
Finjo não estar incomodada
Dou de ombros, gargagalhada
Mas to mesmo revoltada
Me retiro e faço rebelião
Sou motivo de piada
Na minha cara tá estampada
Minha tristeza sem perdão
Mas eu me faço de rogada
Antes só que mal acompanhada
Nem me venha com consolação
No entanto, minha voz jamais será calada
Nem minha perna amarrada
Escrevo na madrugada
Pra espantar a solidão
Mas um dia o mal vai dar trégua, camarada
Rainha serei coroada
Do reino da satisfação
(ou será contradição?)
Felicidade não é coisa pra ser comprada
Ela vem como quem não quer nada
Mas quando a gente menos espera
Vai embora de supetão
* Isto não é um poema, é um samba. Mas lhe falta musicar. Se alguém estiver interessado, sinta-se à vontade.
7 de agosto de 2008
26 de junho de 2008
Rifa-se
Rifa-se um cérebro
Um cérebro semi novo
Um cérebro que frita, que ilumina
Que pisca, que apaga
Mas um cérebro competente
Daqueles que dão conta do recado
Por vezes desconcertado mas com neorônios em bom estado
Rifa-se uma boca
Uma boca cheia de dentes que mastigam
Resseca de sede e cospe
Se cala muda e pálida
E por vezes, suspira e sorri
Rifa-se seios
Seios jovens que nem amamentaram
Sensíveis ao frio, já expostos ao calor
Que gostam de água quente e vapor
Rifa-se braços
Braços finos e longos
Porém, não se engane
Braços fortes
Que já se penduraram em árvore
Lá no alto
Braços com ossos à mostra
Carentes de abraço
Rifa-se uma barriga
Que infla de alívio
E contrai de nervosismo
Reclama quando vazia
Mas não é das mais barulhentas
Rifa-se mãos
Mãos que escrevem, costuram
Aplaudem, vacilam, afagam
Batem, amassam e tocam
Mãos um pouco magras
Mas como são espertas e agitadas
Rifa-se um fígado
Sim, meus senhores, um fígado
É compacto, está em perfeitas condições
Preguiçoso e molenga
Mas funciona à álcool
Rifa-se pernas
Nem grossas nem finas
Desajeitadas no andar
Graciosas ao bailar
Pernas essas que pulam
Não são pra chutes
Mas adoram correr em areia fofa
Rifa-se pés
Pés frenéticos
Que sacodem o tempo todo
São grandes e feios
Não se dão bem com sapatos
Mas estão à procura de chinelos velhos
Rifa-se pulmões
Não possuem vestígio nicotínico
Criados na poluição
Todavia buscam ar puro
Rifa-se tripas
Por que não tripas?
Ora! Tripas que exercem bem sua função
Guardam na hora de guardar
E expulsam quase sempre reguladas
Gostam elas de fibras e mamão papaia
Rifa-se costas
Essas exigem certos cuidados
Gostam de massagem, creme
E quando começam a coçar
Custam a parar
Não possuem postura invejável
São curvadas e sinuosas
Mas não vacilam ao erguer-se
Enganam até que são valentes
Rifa-se olhos
Olhos vivos e grandes
São míopes e claros
Brilham quando vêem lua cheia
Choram de desgosto
E falam mais que a boca
E por fim
Rifa-se um coração
Esse aí é peculiar
Coração quase novo, idealista e moleque
Coração esse que vive pregando peças no seu usuário
Um coração que quer viver intensamente
Tantas vezes sorri
Tantas vezes chora
Tantas vezes parte esse pobre coração
Coração besta daqueles que não aprendem
Quer tanto viver e é tão afoito
Às vezes tenta sair pela boca
O modelo é ultrapassado e antigo
Mas ele faz questão de não se modernizar
E por isso constrange o usuário
Esse coração é contra indicado para aqueles
Que não gostam de emoções
Coração inocente mas vivido
Já esteve apertado e saudoso
Machucado e destruído
Mas possui incrível poder de cicatrização
Contudo, se notam marcas
Coração convencido que acha que é forte
Mas é sensível e medroso
Mas uma recomendação importantíssima
Ao ganhador da rifa
Maneje-o cuidadosamente
Porque ele transborda de amor
*livremente inspirado no poema "Rifa-se Um Coração" de Clarice Lispector
Um cérebro semi novo
Um cérebro que frita, que ilumina
Que pisca, que apaga
Mas um cérebro competente
Daqueles que dão conta do recado
Por vezes desconcertado mas com neorônios em bom estado
Rifa-se uma boca
Uma boca cheia de dentes que mastigam
Resseca de sede e cospe
Se cala muda e pálida
E por vezes, suspira e sorri
Rifa-se seios
Seios jovens que nem amamentaram
Sensíveis ao frio, já expostos ao calor
Que gostam de água quente e vapor
Rifa-se braços
Braços finos e longos
Porém, não se engane
Braços fortes
Que já se penduraram em árvore
Lá no alto
Braços com ossos à mostra
Carentes de abraço
Rifa-se uma barriga
Que infla de alívio
E contrai de nervosismo
Reclama quando vazia
Mas não é das mais barulhentas
Rifa-se mãos
Mãos que escrevem, costuram
Aplaudem, vacilam, afagam
Batem, amassam e tocam
Mãos um pouco magras
Mas como são espertas e agitadas
Rifa-se um fígado
Sim, meus senhores, um fígado
É compacto, está em perfeitas condições
Preguiçoso e molenga
Mas funciona à álcool
Rifa-se pernas
Nem grossas nem finas
Desajeitadas no andar
Graciosas ao bailar
Pernas essas que pulam
Não são pra chutes
Mas adoram correr em areia fofa
Rifa-se pés
Pés frenéticos
Que sacodem o tempo todo
São grandes e feios
Não se dão bem com sapatos
Mas estão à procura de chinelos velhos
Rifa-se pulmões
Não possuem vestígio nicotínico
Criados na poluição
Todavia buscam ar puro
Rifa-se tripas
Por que não tripas?
Ora! Tripas que exercem bem sua função
Guardam na hora de guardar
E expulsam quase sempre reguladas
Gostam elas de fibras e mamão papaia
Rifa-se costas
Essas exigem certos cuidados
Gostam de massagem, creme
E quando começam a coçar
Custam a parar
Não possuem postura invejável
São curvadas e sinuosas
Mas não vacilam ao erguer-se
Enganam até que são valentes
Rifa-se olhos
Olhos vivos e grandes
São míopes e claros
Brilham quando vêem lua cheia
Choram de desgosto
E falam mais que a boca
E por fim
Rifa-se um coração
Esse aí é peculiar
Coração quase novo, idealista e moleque
Coração esse que vive pregando peças no seu usuário
Um coração que quer viver intensamente
Tantas vezes sorri
Tantas vezes chora
Tantas vezes parte esse pobre coração
Coração besta daqueles que não aprendem
Quer tanto viver e é tão afoito
Às vezes tenta sair pela boca
O modelo é ultrapassado e antigo
Mas ele faz questão de não se modernizar
E por isso constrange o usuário
Esse coração é contra indicado para aqueles
Que não gostam de emoções
Coração inocente mas vivido
Já esteve apertado e saudoso
Machucado e destruído
Mas possui incrível poder de cicatrização
Contudo, se notam marcas
Coração convencido que acha que é forte
Mas é sensível e medroso
Mas uma recomendação importantíssima
Ao ganhador da rifa
Maneje-o cuidadosamente
Porque ele transborda de amor
*livremente inspirado no poema "Rifa-se Um Coração" de Clarice Lispector
8 de junho de 2008
Pé de cachimbo
Hoje é domingo. Eu gosto de domingos. Em dia de domingo eu ando de meia pela casa. Minha mãe não gosta, diz que fica toda encardida. Minha casa está em reforma. Está mudando tudo: piso, parede, rejunte, batente e rodapé. Reforma é chato. Mudanças são difíceis. Faz barulho, sujeira e bagunça. E a gente não sabe nem pra onde correr, nem o que fazer. Mas parece que no fim vai ficar tudo certo: paredes brancas, chão brilhante e elegância. Foi o que me disseram, pelo menos. Mas hoje é domingo. E em dia de domingo a reforma pára. A gente pára. Pára pra pensar no que fazer, no que aconteceu e no que ainda vai acontecer.
Mas como eu disse, reforma é uma confusão. Não consigo achar nada do que procuro. Onde estão aqueles meus sapatos vermelhos? Reviro aqui, remexo ali e depois de tanto procurar eu acabo por esquecer o que eu estava procurando.
Tentei fazer arrumação. Achei uma porção de coisas inúteis no criado-mudo e outras muitas que me fizeram lembrar.
Domingo é um dia nostálgico. Será que é porque a semana chega ao fim? Mas domingo não é o primeiro dia da semana? Afinal, é o fim ou o começo? Bobagem pensar isso, é tudo uma coisa só. Porque amanhã é segunda e depois terça e quarta e aí chega o domingo de novo.
Minha mãe tinha razão, minhas meias estão encardidas.
Não consegui terminar a arrumação, muita coisa pra pôr em ordem, decidir o que fica, o que vai e o que muda de lugar. Aqui estão meus sapatos vermelhos que eu tanto procurei! Mas agora não mais preciso usá-los, porque agora estou só de meia.
A pintura da sala está inacabada. Está tudo manchado. Coisas inacabadas são esquisitas, né?
Ontem minha mãe ficou brava porque o pedreiro não fez as coisas do jeito que ela queria. Paciência. Às vezes é difícil se fazer entender, ele não a entendeu. Mas sabe que o piso ficou uma beleza? É... deu errado mas deu tudo certo.
Precisava terminar minha arrumação. Está indo devagar mas não vou me apressar. Quero olhar gaveta por gaveta.
Já escureceu. Daqui à pouco termina o domingo.
Mas como eu disse, reforma é uma confusão. Não consigo achar nada do que procuro. Onde estão aqueles meus sapatos vermelhos? Reviro aqui, remexo ali e depois de tanto procurar eu acabo por esquecer o que eu estava procurando.
Tentei fazer arrumação. Achei uma porção de coisas inúteis no criado-mudo e outras muitas que me fizeram lembrar.
Domingo é um dia nostálgico. Será que é porque a semana chega ao fim? Mas domingo não é o primeiro dia da semana? Afinal, é o fim ou o começo? Bobagem pensar isso, é tudo uma coisa só. Porque amanhã é segunda e depois terça e quarta e aí chega o domingo de novo.
Minha mãe tinha razão, minhas meias estão encardidas.
Não consegui terminar a arrumação, muita coisa pra pôr em ordem, decidir o que fica, o que vai e o que muda de lugar. Aqui estão meus sapatos vermelhos que eu tanto procurei! Mas agora não mais preciso usá-los, porque agora estou só de meia.
A pintura da sala está inacabada. Está tudo manchado. Coisas inacabadas são esquisitas, né?
Ontem minha mãe ficou brava porque o pedreiro não fez as coisas do jeito que ela queria. Paciência. Às vezes é difícil se fazer entender, ele não a entendeu. Mas sabe que o piso ficou uma beleza? É... deu errado mas deu tudo certo.
Precisava terminar minha arrumação. Está indo devagar mas não vou me apressar. Quero olhar gaveta por gaveta.
Já escureceu. Daqui à pouco termina o domingo.
1 de maio de 2008
Um minuto
Parei.
O carteiro mexeu na bolsa azul e acenou pra senhora que abria a caixa de cartas.
A moça morena contou pro rapaz de camisa xadrez algo feliz.
O homem sentado na frente da oficina sorriu pro cão que saltava afoito.
A mãe pegou na mão do menino e ajeitou seus cabelos em desalinho.
O velho passou sozinho e observou tudo isso com ar de agrado.
O farol abriu.
Segui.
O carteiro mexeu na bolsa azul e acenou pra senhora que abria a caixa de cartas.
A moça morena contou pro rapaz de camisa xadrez algo feliz.
O homem sentado na frente da oficina sorriu pro cão que saltava afoito.
A mãe pegou na mão do menino e ajeitou seus cabelos em desalinho.
O velho passou sozinho e observou tudo isso com ar de agrado.
O farol abriu.
Segui.
Sonho vil
Sonhei que estava na rua de noite. Não tinha gente, não tinha bicho, carro, vento, luz, voz, não tinha nada.
Estava só, caminhava pé ante pé e me deixava levar. O tempo já não corria e eu não sabia mais se o hoje viraria amanhã.
O nada bastava, sentia a ausência de tudo e perdi a noção do que era existir. Somente caminhava pela rua vazia.
Pena que acordei ; e tive de começar a pensar no que falar, no que ouvir, no que fazer.
E voltei então ao estado obrigatório que sempre me encontro.
Estava só, caminhava pé ante pé e me deixava levar. O tempo já não corria e eu não sabia mais se o hoje viraria amanhã.
O nada bastava, sentia a ausência de tudo e perdi a noção do que era existir. Somente caminhava pela rua vazia.
Pena que acordei ; e tive de começar a pensar no que falar, no que ouvir, no que fazer.
E voltei então ao estado obrigatório que sempre me encontro.
16 de abril de 2008
Shakespeare (gestos agradáveis sem motivo)
Bruno diz:
"...O, it is my love! O that she knew she were!
She speaks, yet she says nothing. What of that?
Her eyes discourses; I will answer it.
I am too bold; 'tis not to me she speaks.
Two of the fairest stars in all the heaven,
Having some business, do entreat her eyes
To twinkle in their spheres till they return.
What if her eyes were there, they in her head?
The brightness of her cheek would shame those stars
As daylight doth a lamp; her eyes in heaven
Would through the airy region stream so bright
That birds would sing and think it were not night.
See how she leans her cheek upon her hand!
O that I were a glove upon that hand,
That I might touch that cheek! "
Debora diz:
é uma musica?
Bruno diz:
nao, shakespeare
Debora diz:
que legal.. deixa eu ler com atenção.. de que obra de shakespeare?
Bruno diz:
ah, romeu e julieta
Debora diz:
q lindo.... e pq vc me mandou? =)
Bruno diz:
de verdade, nao sei
Debora diz:
brigada adorei...
Bruno diz:
de nada
Futilidades de uma terça feira (chuvosa)
Nunca gostei muito de terça feira, principalmente as chuvosas. E ontem foi uma dessas, um daqueles dias que quando chega ao final você pensa que melhor seria nem ter saído da sua cama quentinha.
Logo de manhã um motoqueiro me fecha e ainda xinga minha querida mãezinha.
No almoço levo um fora do carinha até que legalzinho que eu tava ficando.
Na janta compro um pão de batata que supostamente viria recheado de catupiry, mas não veio.
Pra fechar o dia pego um trânsito infernal as onze e meia da noite (de uma terça chuvosa) em plena 23 de maio.
Motoqueiros me irritam. Homens quase sempre me irritam. Pão de batata sem recheio me irrita. E a 23 de maio também...
PS: http://www.youtube.com/watch?v=Hfl9e53LX_U hahaha
Logo de manhã um motoqueiro me fecha e ainda xinga minha querida mãezinha.
No almoço levo um fora do carinha até que legalzinho que eu tava ficando.
Na janta compro um pão de batata que supostamente viria recheado de catupiry, mas não veio.
Pra fechar o dia pego um trânsito infernal as onze e meia da noite (de uma terça chuvosa) em plena 23 de maio.
Motoqueiros me irritam. Homens quase sempre me irritam. Pão de batata sem recheio me irrita. E a 23 de maio também...
PS: http://www.youtube.com/watch?v=Hfl9e53LX_U hahaha
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